Para o Futuro
janeiro 7th, 2012 § Deixe um comentário
Que a solução dessa crise mundial seja a desvalorização total do dinheiro. O dinheiro sujo, o dinheiro que ninguém tem e que todo mundo quer. Que acabe a necessidade de gastar, pois o ser humano é maior que uma conta bancária.
Que a futilidade chegue ao fim. Que essa lavagem cerebral não consiga mais nos atingir. Que todo esse lixo material que nos é empurrado diariamente seja finalmente dispensável. Ninguém precisa carregar esse tipo de bagagem que só pesa.
Que volte as pesquisas por enciclopédias. Que ler livros seja novamente moderno! E que a tecnologia pare de avançar. Nós somos os robôs de carne e osso obedecendo fielmente os grandes “gênios” insanos por trás dessa palhaçada que a vida virou.
Que acabe os encontros via internet, não há nada como sentir um aperto de mão, um abraço ou um beijo de verdade.
Que a música clássica volte a ser apreciada. Deixando para trás toda essa cultura burra do pop-music. Essas letras vazias que todo mundo canta por ai.
Que a mídia exploda junto com as suas fofocas e mentiras, ninguém aguenta mais problemas, mas fomos ensinados a nos alimentar disso. Esse entretenimento falso. Essa perda de tempo e de informação. Todo mundo quer viver a vida das celebridades, sem sequer notar a podridão que é esse falso glamour.
Que não tenha graça na moda, se não for pela arte da alta-costura.
Que volte a moda fazer pic-nics. Jogar uma toalha velha na grama e passar a tarde olhando para o céu. Não vivemos mais o simples, pois, claro, o simples é vivido por atores e atrizes no cinema e televisão. Que volte a moda então ser simples… e viver sem televisão.
Que o computador volte a ser complicado, mesmo que isso signifique o fim dos inúmeros downloads de músicas e da facilidade de ter uma biblioteca no itunes.
Que o violão volte a ser tocado perto da fogueira na beira do mar.
Que o amor retorne a nossas vidas, com sorriso safado de quem quer sempre mais. Hoje a tendéncia é o divórcio, a separação, não lutamos mais pelo amor, não queremos saber de perdão. É muito difícil lidar com tudo isso. Mas logo depois da dor vem mais delícias, pois amor é isso: tem sabor de dor e euforia.
Que essa duplicidade do “BEM” ou “MAU” seja desfeita e permanentemente esquecida. Todo e qualquer ser humano é capaz de praticar ambos. É assim que encontramos o equilíbrio, quando sabemos que bem e mau é uma coisa só. É complicado, eu sei.
Que as pessoas possam brindar de novo, sem ter grandes razões para celebrar.
Que acabe essa falsa magia natalina. Esses feriados mundiais são mais comerciais do que divinos.
Que venha mais dias calmos pela frente!
Que haja mais vida!
Que a sensatez reine novamente. O bom senso. O tal do desconfiômetro.
Que o maltratado possa logo se recuperar. E o cansado descansar!
Que a dor seja superada.
Que a guerra, bom falar sobre a guerra é até clichê – ou melhor, falar sobre guerra virou piada – mas para a guerra que haja solução.
Que o homem com sede de poder perca a ambição. Sim, a razão de toda a merda que anda acontecendo é o desejo incontrolável pelo poder. A vontade de estar no topo da pirâmide, pisando, esmagando todo o resto. Então que o poder deixe de ter força.
Que o político corrupto (se é que exista um que não seja) fique pobre. E a corrupção, por mais difícil que seja, perca o sentido.
Que a mãe natureza não seja mais culpada pelo maltrado ao homem. Somos nós os causadores de tragédias e transtornos.
Que a mentira sobre o tal do aquecimento global e sobre o fim eterno das águas do mar seja revelada. Isso é mais uma distração apresentada para nós – através do noticiário – como realidade.
Já pedi o fim da televisão?
Que a nossa real origem seja revelada. Quem ainda acredita na teoria da evolução de Darwin? Macacos será? Por favor, olhe pela janela do quarto, ou melhor, corra para fora e olhe para o céu, não somos os únicos no espaço. Acho mais interessante a teoria de uma possível modificação genética alienígena. “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. . .”.
Que o Universo seja o nosso gentil criador. As estrelas, os planetas… que tudo isso faça parte de nós. Você não sente na veia o poder do cosmos?
E que o divino seja a energia liberada pelo cosmos, pois como dizem por ai, nós todos temos um Deus dentro de nós. E isso nos mantém conectados com ele. Ele? O Deus que habita nosso intimo.
Que a nossa alma viva eternamente. E que haja outros planos espirituais.
Que o cérebro do ser humano seja finalmente desbloqueado. Quem foi que disse que nós temos forças para mover montanhas?
Que a bíblia seja desmistificada e acabe todo esse disse não disse do senhor. O homem andou mexendo aonde não devia e olha só o resultado.
Que nós possamos, por fim, acordar. Como no filme Matrix, lembra? Acordar para a realidade e para a beleza da realidade que há lá fora. Fora dessa teia de aranha que nos prende já por muito tempo.
E, para finalizar esse texto utópico, que o amor resista. Sim, no final de tudo que o amor resista e exista para todos. Que amar seja sagrado. E re-amar seja necessário. E que o divido seja o amor. Esse fogo imortal que move a gente.
Ah, e que esse monte de palavras faça sentido, pelo menos, para alguns. Ou para ninguém… Que apenas faça sentido.
Vai se FODER!
outubro 23rd, 2011 § 1 Comentário
A criança que depender do TELETON ou CRIANÇA ESPERANÇA irá, infelizmente e injustamente, morrer de fome.
Eu vejo o BRASIL INTEIRO fazendo campanhas e doando 5.00, 10.00, 30.00 ou mais…
E depois, nas ruas, o mesmo brasileiro “caridoso”, desvia o olhar de mendigos e ignora crianças de rua.
O brasileiro sustenta a mídia e não criança faminta.
BRASIL cidadania ZERO.
E o futuro do nosso futuro?
outubro 10th, 2011 § Deixe um comentário
Ninguém se interessa por nada sério.
Ninguém quer compartilhar nada sério.
Passar informações para frente.
Lutar.
Nao!
A gente gosta das banalidades.
A gente gosta do LIXO.
Estamos impregnados pela futilidade.
Infectados pela mídia.
Queremos celebridades e as colocamos no poder.
Furamos nossos olhos pois é divertido ser guiado por essa corja de corruptos.
E além de tudo somos BURROS!
Essa ignorancia toda vai doer nos fracos.
E os fracos somos nós.
E a miséria humana está logo ali.
USE YOUR HEAD OR YOU`LL BE DEAD.
Até o fim dos tempos
setembro 9th, 2011 § Deixe um comentário
Eu o vi na rua outro dia. Passando apressando na rua. E me escondi entre as páginas de uma revista que estava lendo. Uma revista de fofoca. Que ridícula essa cena, eu atrás de uma revista de celebridades, todo vermelho e com o coração quase na garganta. Ele nem deve ter notado. Eu estava no ônibus, atrasado para o trabalho e lendo sobre… mentira, nessas revista eu apenas vejo as fotografias, não as leio. Geralmente eu carrego um livro comigo, mas agora proibiram livros no trabalho e, então, eu nem os tiro de casa. O ônibus parou no sinaleiro fechado e eu fiquei observando os pedestres. Avaliando os estranhos da janela de um ônibus. Rindo de uma criancinha levando bronca e sua mãe disfarçando a irritação. Esse é o único prazer de andar de ônibus: assistir a vida. Será que alguém viu a minha reação ao ver ele? Será que riram de mim também, ao assistir eu encolhendo no banco duro do 177? E para onde será que ele ia com tanta pressa? Não posso começar pensar nessas bobeiras! Há tempos que não o vejo perambulando pela cidade. Talvez ele tenha se recolhido por mim. Também com medo de me ver pela janela de um ônibus – ou carro – qualquer. Talvez ele… não, não há talvez nessa hitória. Não há mais nada. Prefiro ficar aqui lendo os resumos das novelinhas fracas da rede globo do que pensando nele. Meu amor…
Tenho que confessar algo, não estou certo, mas acredito ter visto ele dentro de um ônibus. Não vi seu rosto, mas o cabelo, os dedos, a cor da camiseta, só pode ser ele. E era o 177, ele sempre ia para minha casa com o 177. Talvez ele estivesse entediando lendo aquela revista. Coisas de fofocas, sabe, não é o estilo dele. Se o sinal não fosse tão rápido eu teria visto os olhos dele e tido a certeza que ele ainda anda pela cidade. Quero ter certeza, pois eu preciso saber se ele está bem. E se ele estivesse com outra pessoa do seu lado segurando sua mão? Talvez ele escondia um beijo atrás daquela revista. Beijando outro rapaz em público. Aquela revista só pode ser de seu novo namorando. Sujeitinho sem cultura! Mas quem disse que ele está namorando? Eu já estou pirando aqui sem sequer saber se aquele cara no ônibus era realmente ele, meu namorado. Meu… ex-namorado.
Eu prometi que iria parar com esses questionamentos, esse negócio de “e se…” toda hora. Lamentações. Eu fugi para esquecê-lo, mudei de cidade, evitei amigos em comum e veja só onde estou! De novo em seu labirinto. Nem faz tanto tempo assim que tudo teve fim. Mas eu me consertei, estou bem agora, no entando sinto que devo me redimir, sei lá. Não quero arriscar vê-lo de verdade no 177 ou em qualquer outra linha que seja. É, pode parecer covardia, mas não posso fingir que ele não existe, pelo menos não nessa cidade. Nesse inferno de cidade. Até nas esquinas têm seu nome explícito. Marcas de nós dois. Nas Lojas, nas lanchonetes, nos moteis. Tudo aqui está infectado por ele. E eu preciso mesmo de outro lugar mais limpo. Limpo dele. Preciso esterilizá-lo de mim… mais uma vez.
Depois daquele dia eles não mais se viram. Um no ônibus, e o outro na faixa de pedestre. Tão próximos e assim distantes. Tão sem coragem de estourar o vidro da janela e saltar pelos carros numa tentativa exageradamente romântica de dizer “Eu ainda te amo”. Deve ser para isso que serve aquelas saídas de emergência e, naquele caso, era uma emergência. Mas o “Eu te amo” não foi dito. Foi apenas pensado e ignorado na mesma hora, por dois corações confusos. Ambos seguindo em linhas retas, porém para outro destino. Nenhum deles percebeu, mas foi ali, naquele momento, que eles realmente se separaram. Havia, antes de tudo acontecer, a pureza da esperança. Depois nasceu, no medo, a covardia.
Não se abandona um grande amor. E a história deles, antes dessa cena do ônibus, nem vale a pena ser contada. Não mais. Foi abandonada. Deixada ao descaso. Nem vale dizer que anos e anos se passaram e o único contato que tinham era telepático. Ou pensavam ter. Era o ônibus 177 que os perseguiam por todo o mundo. E não importa se um fugiu da cidade e o outro virou chefe de uma grande empresa. Nada disso importa. O vazio ainda está lá. O barulho do motor do ônibus ainda soa nos ouvidos de quem amou. O maldito ônibus tornou-se um símbolo de amor. Uma mancha. Um barulho alto, chato de ouvir.
Se eu voltar, se eu pensar em colocar meus pés de novo naquela cidade, será que vou resistir? Será que ainda tenho o telefone da casa dele? Eu lembro de cabeça, mas vai saber se ele não trocou o número. A portabilidade facilitando a vida das pessoas. Queria eu, nesse anos todos, ter portado esse sentimento para outra pessoa. Para outro corpo que me acompanhasse. Mesmo eu não o amando cem por cento. Queria eu ter coragem de voltar, mas agora eu tenho outra vida, outros amigos e um amante. Se eu aparecer lá de novo, ele vai pensar que é só por causa dele. E é, no fundo é. Mas posso tentar me enganar. Inventaria uma visita surpresa ao meu pai. O velho nem lembra do meu nome. Que estupidez, por que eu estou pensando nisso uma hora dessas? Por que você me assombra de madrugada?
Me assombra até eu pegar no sono, por favor…
É tão díficil fingir ao lado de outra pessoa. Fingir um sentimento que não sinto a tanto tempo. Aqui estou eu, num motel, passando mais um aniversário de namoro. Gosto de levar meu namorado para lugares mais reservados. Eu não o amo. Eu amo o outro. Por isso é difícil sorrir quando esse aniversário poderia ter sido de um outro relacionamento. E merda! Não é. Eu sempre me enganando e agora, de tão viciado, engano também os outros. Além desse cara nos meus braços eu tenho mais um que trepo nas sextas de tarde. É, sim, tornei-me um canalha. Meu amor de verdade não volta mais, eu sei. Mudou-se de cidade anos atrás. Mudou-se de mim, mas levou toda a minha mobília emocional. Não é justo! Não é justo com ninguém. Parece piada, mas enquanto eu estou aqui, com uma taça de vinho nas mãos, e com meu novo namoradinho excitado, tudo o que posso e consigo pensar é no maldito 177. E em nossos encontros e no dia que eu o perdi de vista. Quando eu não mais o achei na cidade… E após sua partida o 177 parou de circular nas ruas. Nâo entendo a ligação, mas só pode ser aquelas coisas que o Milan Kundera dizia sobre o acaso. Ele foi meu acaso. E eu ainda o amo.
Por obrigação devo criar um final feliz para esses dois. Colocar o 177 nas ruas de novo, como algum tipo estranho de sinal do destino. Seria emocionante apenas mais um encontro, um outro beijo e a compreenção de se ter vivido um grande amor em seu determinado tempo, e esse sentimento que, hoje, eles consideram amor, não passa de uma boa lembrança juvenil. Hoje, em suas vidas, não há mais espaço para eles como um casal. Acabou. Não se acertariam novamente na mesma cama. Não gostam mais das mesmas coisas. Um gosta de feijoada, o outro de frutos do mar. Um ouve música clássica, já o outro é mais rock alternativo. Um adora esportes, o outro vive nos livros. Mas afinal, não é isso que nos faz amar outras pessoas? Não são as diferenças, defeitos, qualidades, que fortalecem o tal do amor? E amar de verdade não é a superar essas diferenças? Então porque não eles, mesmo tão diferentes, acabarem juntos? Numa casa linda, branquinha, bem ventilada, com um cachorro, duas biccicletas e uma varanda para assistir os dias de chuva…
Eles possuem a chance do reencontro, bastam vencer o orgulho e possivelmente, após esse encontro, a vida tomará o seu percurso natural e os levará até onde o amor suportar, quem sabe, até o fim de suas vidas.
Até o fim dos tempos, como costumavam planejar ainda na juventude, ainda na inocência da paixão…
agosto 14th, 2011 § Deixe um comentário
Eu lembro que
o Chico Buarque
me ajudou a declarar
essas coisas que
eu sinto
por você.
agosto 12th, 2011 § Deixe um comentário
Vai Brasil, toma jeito!
Cada vez mais
te acho um país
Nojento!
Do amor e das besteiras…
julho 15th, 2011 § Deixe um comentário
Ele trai porque gosta do proibido. Enquanto ela tem crises emocionais, pois gosta do sofrimento. Ele procura em outras mulheres o gosto dela. E ela foge dele durante a noite para que ele fique com vontade de tê-la nos braços.
Ah, os jogos do amor. Essa coisa bem pensada, bem planejada que fazemos sem perceber. Nem nos damos conta quando o amor está por um fio. E o melhor, no final de tudo, é poder – e achar-se no direito – de culpar o outro.
- Ele não toca mais a minha pele.
- Ela não gosta mais que eu a toque.
E por pouco, por uma bobeira qualquer, o amor se vê em direção ao ralo. Pronto para o final. Quando tudo explode. Quando resta somente dor… Aquela dor que dizem que o tempo apaga, ou que o tempo cura, ou que melhora, ou que passa… ou que, na verdade, fica lá sendo carregada com o passar do tempo.
Hoje eu queria poesia, mas o céu está nublado e eu não tenho nenhum cigarro para fingir estar interessado em tudo isso.
julho 14th, 2011 § 1 Comentário
O cara do espelho…
junho 26th, 2011 § Deixe um comentário
Às vezes eu tenho essas conversas sérias diante o espelho
e meu reflexo balança a cabeça concorda com tudo que eu digo
e se convence de que eu estou certo, mas eu não.
Eu sei dos erros.
Eu sei…
Sei do ódio.
Sei de tudo que faz eu me acalmar.
Os olhos vermelhos que nem fazem mais questão de fingir.
Conheço bem o cara do espelho que vai sorrir,
passar a mão no meu cabelo
e dizer que está tudo bem.
Sei que ele quer apenas me consolar.
E sei exatamente quando eu começo a querer me enganar.
Um pouco do meu nada…
maio 24th, 2011 § 1 Comentário
Faz tempo…
Faz tempo que não escrevo um texto
Tempo que não troco o verbo
Que não faço graça
Drama nem violência
Faz tempo que ficou vazio
Que não muda nada
E nada mudou
Faz tempo que eu digo isso
E olho o espelho cheio de mim
E eu em mim cheio de mim mesmo
Vazio…
Faz tempo que eu não escrevo nada
Nada de mim
Nem sequer pra mim
Essa coisa chata de sempre
A mesmice de quem escreve
E eu tenho escrito tão pouco…
Pouquinho… quase nada.
Se o meu amor fosse como a correnteza de um rio arrastaria, para dentro do mar, destroços de um mundo inteiro.
abril 10th, 2011 § 3 Comentários
Disso… e de você
fevereiro 19th, 2011 § 1 Comentário
Eu li o bilhete deixado na escrivaninha e logo me animei. Amor, foi sempre disso que eu precisei: dos bilhetes, das cartas, de uma nota com uma pequena declaração. Apenas isso… e de você com isso.
O noite cai bem com um “te amo” escrito de caneta.
Melhor será na madrugada quando eu levantar para abrir a porta para você. Ah, que sono… e nos enfiarmos debaixo do cobertor fino, e alguns beijos no pescoço e, enfim, seu corpo esquentando o meu.
Boa noite.
O problema do amor é o amor.
fevereiro 12th, 2011 § 2 Comentários
Sempre procurei completar na minha vida aquele vazio que fica no canto do coração, sabe? Eu sei que sabe. Uma lacuna, quase abismo. A dor que ecoava. Então me enchi de amigos. Transbordei amizades. Encontrei conforto nos braços, não de apenas uma pessoa, mas de varias, com alguns – dos amigos – dividi minha cama. Alguns foram sexo, outros só passaram a noite pra conversar na nossa madrugada. Alguns desses amigos ficaram sempre ao meu lado, já aqueles outros mostraram-se infiéis, mas eu os entendo e não condeno ninguém. Fiquei completo da mesma forma. Meus amigos se tornaram meus namorados. Paixão em grupo. Não, não tive nenhum romance bizarro em grupo, eles preencheram a parte que um namorado deveria preencher, entende? A parte que, por mais que eu tentasse, permanecia vazia. E eu, então, passei a me enganar. Nessas horas a gente bebe, vomita toda a dor da solidão. Esquecemos o que é estar sozinho, mas acordamos sozinhos com a cabeça apoiada no vaso sanitário. Ah, o dia seguinte, a ressaca moral, a dor de cabeça e a sua voz interna repetindo “Idiota, idiota, idiota”. Acende, mais a noite, um beck e relaxa. A cura de um grande amor se encontra na larica. Ou, pelo menos, era assim que eu pensava.
Vou-lhes contar como o amor – ou o não amor – destrói a sua vida. A gente enfia outras pessoas em nossas vidas para suprir a falta de uma pessoa. Nós ganhamos dois, três, cinco, dez quilos tentando entender o que aconteceu de errado. A larica, para os noiados, também conta. Depois forçamos nossas amizades com grandes e fracas teorias sobre o motivo do término. Criamos da pessoa que amávamos, e na maioria dos casos ainda amamos, uns monstros. Tudo para satisfazer a nossa vontade de vingança. Depois nos arrependemos, choramos, e comemos mais alguns quilinhos. Logo buscamos consolo numa garrafa de Jack Daniels. Nos bares nós somos os melhores clientes, a conta vai de 80.00 a 150.00 reais (se você estiver no Brasil). Ai dormimos com um cara que estava num canto do bar nos paquerando. Na manhã seguinte, se o cara ficou, nós temos que lidar com a ressaca e com o cara que, por alguma razão, te achou surpreendente e quer ficar te abraçando. Mais de tarde relatamos algo novo aos amigos. Outras teorias surgem entre o almoço no Mcdonalds e a janta num restaurante japonês. E no fim da noite, quando a comida virou bosta e os amigos estão em casa lidando com seus próprios problemas que, by the way, nós estavámos tão ocupados nos vitimizando que nem sequer os ouvimos reclamar… Nossa, eu até perdi linha do raciocínio. Eu ia dizendo, no fim da noite, com a cabeça no travesseiro, o que vai realmente curar essa dor, saudade, ou seja lá qual for o nome para o sentimento de abandono e solidão, é somente a pessoa que nós passamos o dia inteiro tentando esquecer, mas não paramos de falar seu nome, ás vezes o nome dessa pessoa muda para canalha ou babaca, mas é o mesmo cara que você não para de pensar. Esse é o problema do amor, ou passa, cura, some, adormece com o passar do tempo, ou só há um remédio: ter o tão odiado, porém amado, em seus braços novamente.
Então, os amigos, bebidas e a deliciosa maconha, não vão curar nem preencher aquele vazio. Os amigos são mais do que importantes para qualquer processo complicado em nossas vidas. Eu não sei ficar sem meus amigos. Meus quase terapeutas. A parte deles será sempre bem aproveitada. A bebida vai te trazer boas dores de cabeça, alguns atrasos na aula ou trabalho e muita diversão. A maconha, bom, essa cada um na sua onda. Porém apenas o grande amor irá curar a ferida que, cicatrizada, ainda dói. E se você, consegue esquecer um amor, eu, por experiência, acredito (talvez seja até um consolo saber disso) que aquele esquecido não foi um grande amor, foi apenas uma paixão. Os grandes amores – se é que há mais de um – não se esquecem, acho que nem com o tempo. Um grande amor é o vazio que nunca se preenche. A vontade de mais e mais e mais e mais. Por isso dizem que amar é sofrer. No entando eu creio que amar é sofrer com alegria, e tenho vivido isso. Apesar de tudo o que passou, o que me salva, não importa a dor, é o amor.
Lembranças…
fevereiro 5th, 2011 § 1 Comentário
Descobri que ele não ama a mim. Ele ama a lembrança de mim, em mim. Os anos que vivemos juntos antes, quando a paixão estava no início. Quando não havia tantas dificuldades. Antes de ele conhecer meus defeitos e eu reclamar dos dele. A lembrança que ficou marcada em mim, ainda que em outro corpo, num rosto mais robusto e adulto. Ele ainda vê o moleque que, em partes, morreu em mim. Não há mais aquela inocência do primeiro amor. Mas eu sou a lembrança, no presente dele, de tudo que se foi. Passou. Sou lembrança de uma casa azul. Do terraço de um prédio. De uma senhora fazendo tricô. De um labrador negro. Do piso branco da calcada. Em mim – ou na lembrança de mim - não há a morte. Há todos aqueles dias suspirando em seus braços.
Embora, devo admitir, que essa forma de amar alguém seja fascinante. Enxergando o parceiro no que mais se admira. Na memória de um amor jovem, sem discussões, atritos e dores. Um amor entre a liberdade de ainda ser solteiro e ocompromisso gostoso de um namoro descomplicado. Ah, é mais fácil amar assim. É, também, saudável. No entanto eu prefiro os atritos de agora. Essas conversas em voz alta que servem para provar que nos mudamos, embora, no fundo, na essência, permanecemos os mesmos. Apaixonados. In love. Dedicando músicas e registrando momentos. Esses somos nós. Hoje mais maduros, mais lesados pela vida – não no mal sentido da palavra.
Memórias, todos nós as temos. As minhas ficam passeando no passado, mas de quando em quando voltam como um temporal para te cobrar atitudes ou mostrar que temos, em nós, as mesmas manias irritantes de antes. Eu ainda erro, mesmo sendo o rosto perfeito moldado naquele passado. E não quero que você, enxergando ele (o eu mais menino), se decepcione com os meus novos defeitos. Com as minhas outras crises. E, também, não quero que você procure em mim as qualidades do passado, eu estou cheio de outras novas, mais excitantes, embora não as mostre com frequência. Veja-me como aquele menino, mas me entenda como o homem que ainda tento ser.
Para os Amigos.
janeiro 30th, 2011 § Deixe um comentário
Então eu guardarei todos os dias que passamos juntos.
Todas as vezes que ficamos bêbados e entorpecidos em silêncio, apreciando a lembrança de nós.
Nós…
Nós!
Todos nós cabemos naquele sofá.
Cabemos na alegria que aquela situação nos trazia.
Cabemos no mau-humor e felicidade de cada um de nós.
Nas formas estranhas na parede.
As gargalhadas.
E o momento que a fumaça se torna alegria.
Pronto!
Eu vivo aqui agora, tão distante
de todos aqueles que me faziam sorrir.
E penso em chorar, mas não, eu apenas lembro.
A memória é meu melhor presente até tê-los comigo novamente.
Para o meu outro eu.
janeiro 29th, 2011 § Deixe um comentário
DARK SIDE:
Acho que o meu grande problema é aguardar por uma tragédia que vai mudar minha vida. E não querer adimitir essas coisas que eu penso. Mesmo sendo besteira na maioria das vezes. Eu penso na morte. Penso nas traições. Penso em todas as vezes que eu trái, nas vezes que fui traído e dói tudo de novo, sufoca. Acho-me um doente, mas sou exagerado demais para achar qualquer coisa. Sofro antecipado. Imagino meu sofrimento, talvez (e isso é coisa da minha cabeça) para me fortalecer. Sou a vítima e o moçinho de mim mesmo. Do meu corpo. Do meu jeito. Sou meu massacre. Totalmente masoquista. Um susto. Meu corpo ás vezes dói e ás vezes eu acho que dói, mas não dói nada. Meio hipocondríaco também. E queria fugir. Parar e fugir. Parar esse tumulto aqui dentro. Separar eu de mim. Pular fora do meu corpo e dar um soco na boca e sangrar até fazer sentido de novo. Renovando-me. Nascer de novo num corpo já formado. Sem feridas, sem essas impurezas que me tiram do sério, sem essas manias, vícios e incertezas. Sem essas coisas que são minhas e fazerm de mim quem eu sou. Sem eu, mas por mim, entende? Nem eu.
Mais um para ele…
janeiro 22nd, 2011 § Deixe um comentário
Se estou longe, por um dia ou dois, tudo bem, dá saudade. O que acaba sendo ótimo. Pois quando você for me buscar na estação de trem eu te agarro lá mesmo e compenso minha ausência. Compenso a falta de assunto no telefone, o silêncio, só porque eu gosto de falar olhando seus lábios mecher. Seu sorriso safado mechendo comigo. Tomando uísque com coca-cola enquanto eu reclamo do calor que faz no nosso quarto. E do dia cinza. E da falta de acento nesse teclado. Mesmo assim, com tamanha implicância, a noite chega, calma, fria. E chega o aconchego ao seu lado.
Para aquele que voltou…
dezembro 15th, 2010 § 2 Comentários
Eu te amo hoje
e não é um amor
que me deixa preocupado.
É um amor que está, ali,
instalado em mim.
Quase parte principal
do meu corpo.
Esse amor que funciona
como pulmões.
Rins. Fígado.
Ar.
É diferente do amor
que, antes, eu sentia.
É igual, porém maior.
Maduro. Crescido.
Nota-se fácil, em mim,
esse amor abobalhado.
Agora mais claro,
parece até amor puro.
E os pecados.
Os beijos.
O ar que me falta.
Suas mãos, enfim, nas minhas.
Fácil, fácil…
novembro 9th, 2010 § Deixe um comentário
Hoje chove, faz vendo forte e há trovões lá fora. E mesmo assim faz bastante calor, acho estranho isso. Por isso – e não somente por isso – eu não saí do meu quarto, saí apenas para buscar coca-cola. Refrescar. Fico aqui com o ventilador ligado, fazendo ruídos e vento artificial nas minhas costas e ainda fico suado. Devo ter algum problema de hormônio, sempre fico todo suado. Uma vez bêbado pensei que o suor fosse meu corpo chorando pelo meu descaso, mas essas coisas não acontecem de verdade, só mesmo na cabeça de embriagados. Faz tempo que não bebo, acho que estou perdido em outras sensações agora, não que isso seja bom, pois não é, mas não deve ser tão ruim assim, apenas me sinto um pouco isolado. Parece um crise, um dedo de depressão. Parece que estou afundando e lentamente perdendo o sono. Não é tão ruim, pois eu não me importo de ficar acordado. Fazendo planos, tentando seguir fielmente algum deles.
E o silêncio não mais me incomoda…
Aí eu vou para o banho, é quase um preparo para o sono que se faz ausente. E é no banho que os pensamentos são organizados. Lavando a sujeira de um dia inteiro, tirando, de mim, os resquícios daqueles pesadelos. Fica fácil apontar a solução de cada problema quando a água acalma a cabeça. Sinto-me leve. Sóbrio. Fico tão próximo da compreenção, que assusta. Transparente, fácil de ler, decodificar. Não que em minha pele haja tantos secredos, mas fica simples de ler as rugas nas pontas dos meus dedos. Logo que a sujeira fica limpa, meu pensamento trava de novo, deve ser pura diversão do meu inconsciente. Brincar de aminésia. Esfrego a toalha no meu rosto, vejo os olhos vermelhos e tento me lembrar de algo muito maneiro que pensei dentro do box do banheiro. Lá dentro, escrevo textos surpreendentes na cabeça, mas quando chega a hora de passar para o papel eu simplemente não consigo traduzir em palavras aqueles pensamentos soltos que juntos eram poesias. É sempre assim. Deveria ter nascido peixe. Ficaria bem debaixo d’água. Ficaria calado, no silêncio azulado e nem me importaria.
Água agora virou terapia.
E pronto, estou de samba-canção e camiseta regata, cama arrumada e escrevo aqui as últimas palavras da noite. Reservo um bom livro para tentar ler antes de dormir. Mas estou desconfiado de mim mesmo. Sinto que estou me sabotando cada dia que passa. Criando novas enrrascadas. Uma crise de amor e ódio comigo mesmo. Por isso o livro; leitura acalma, junto com um porre de músicas. Sou um pouco egoísta quando leio – ou ouço música – pois só faço isso para fugir da minha realidade e me perder no desespero alheio. Mesmo sendo desespero inventado. Mesmo sendo tudo uma farsa em páginas amareladas. É na leitura que esqueço de mim para sofrer com os outros…
E a noite vem fácil fácil…
Contranarciso
novembro 9th, 2010 § Deixe um comentário
Em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas
O outro
que há em mim
é você
você
e você
Assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós
Paulo Leminski