O problema do amor é o amor.
fevereiro 12th, 2011 § 2 Comentários
Sempre procurei completar na minha vida aquele vazio que fica no canto do coração, sabe? Eu sei que sabe. Uma lacuna, quase abismo. A dor que ecoava. Então me enchi de amigos. Transbordei amizades. Encontrei conforto nos braços, não de apenas uma pessoa, mas de varias, com alguns – dos amigos – dividi minha cama. Alguns foram sexo, outros só passaram a noite pra conversar na nossa madrugada. Alguns desses amigos ficaram sempre ao meu lado, já aqueles outros mostraram-se infiéis, mas eu os entendo e não condeno ninguém. Fiquei completo da mesma forma. Meus amigos se tornaram meus namorados. Paixão em grupo. Não, não tive nenhum romance bizarro em grupo, eles preencheram a parte que um namorado deveria preencher, entende? A parte que, por mais que eu tentasse, permanecia vazia. E eu, então, passei a me enganar. Nessas horas a gente bebe, vomita toda a dor da solidão. Esquecemos o que é estar sozinho, mas acordamos sozinhos com a cabeça apoiada no vaso sanitário. Ah, o dia seguinte, a ressaca moral, a dor de cabeça e a sua voz interna repetindo “Idiota, idiota, idiota”. Acende, mais a noite, um beck e relaxa. A cura de um grande amor se encontra na larica. Ou, pelo menos, era assim que eu pensava.
Vou-lhes contar como o amor – ou o não amor – destrói a sua vida. A gente enfia outras pessoas em nossas vidas para suprir a falta de uma pessoa. Nós ganhamos dois, três, cinco, dez quilos tentando entender o que aconteceu de errado. A larica, para os noiados, também conta. Depois forçamos nossas amizades com grandes e fracas teorias sobre o motivo do término. Criamos da pessoa que amávamos, e na maioria dos casos ainda amamos, uns monstros. Tudo para satisfazer a nossa vontade de vingança. Depois nos arrependemos, choramos, e comemos mais alguns quilinhos. Logo buscamos consolo numa garrafa de Jack Daniels. Nos bares nós somos os melhores clientes, a conta vai de 80.00 a 150.00 reais (se você estiver no Brasil). Ai dormimos com um cara que estava num canto do bar nos paquerando. Na manhã seguinte, se o cara ficou, nós temos que lidar com a ressaca e com o cara que, por alguma razão, te achou surpreendente e quer ficar te abraçando. Mais de tarde relatamos algo novo aos amigos. Outras teorias surgem entre o almoço no Mcdonalds e a janta num restaurante japonês. E no fim da noite, quando a comida virou bosta e os amigos estão em casa lidando com seus próprios problemas que, by the way, nós estavámos tão ocupados nos vitimizando que nem sequer os ouvimos reclamar… Nossa, eu até perdi linha do raciocínio. Eu ia dizendo, no fim da noite, com a cabeça no travesseiro, o que vai realmente curar essa dor, saudade, ou seja lá qual for o nome para o sentimento de abandono e solidão, é somente a pessoa que nós passamos o dia inteiro tentando esquecer, mas não paramos de falar seu nome, ás vezes o nome dessa pessoa muda para canalha ou babaca, mas é o mesmo cara que você não para de pensar. Esse é o problema do amor, ou passa, cura, some, adormece com o passar do tempo, ou só há um remédio: ter o tão odiado, porém amado, em seus braços novamente.
Então, os amigos, bebidas e a deliciosa maconha, não vão curar nem preencher aquele vazio. Os amigos são mais do que importantes para qualquer processo complicado em nossas vidas. Eu não sei ficar sem meus amigos. Meus quase terapeutas. A parte deles será sempre bem aproveitada. A bebida vai te trazer boas dores de cabeça, alguns atrasos na aula ou trabalho e muita diversão. A maconha, bom, essa cada um na sua onda. Porém apenas o grande amor irá curar a ferida que, cicatrizada, ainda dói. E se você, consegue esquecer um amor, eu, por experiência, acredito (talvez seja até um consolo saber disso) que aquele esquecido não foi um grande amor, foi apenas uma paixão. Os grandes amores – se é que há mais de um – não se esquecem, acho que nem com o tempo. Um grande amor é o vazio que nunca se preenche. A vontade de mais e mais e mais e mais. Por isso dizem que amar é sofrer. No entando eu creio que amar é sofrer com alegria, e tenho vivido isso. Apesar de tudo o que passou, o que me salva, não importa a dor, é o amor.
“Apesar de tudo o que passou, o que me salva, não importa a dor, é o amor”: perfeito!
Porra, me identifiquei em varias partes, mas o final comentado pelo Anderson acima é matador… A frase sintetisa seus pensamentos. E apenas o amor pode nos salvar realmente.