TÊ AGÁ CÊ

Ando todo emotivo, não choro muito mais,
seguro, aperto, sufoco soluços e afogo lagrimas em
goles secos e acordo às 3 da madrugada, em ponto
Na hora da bruxa, hora dos demônios soltos livres do inferno
a hora que os pulmões se regeneram e respiram, eu não respiro,
me escondo e as sombras se mostram no escuro do quarto
Não estou deprimido, não é isso
Estar sozinho ainda é desconcertante
Minha companhia é preguiçosa e viciante
Vou me desfazendo em series jogos maconha e entretenimentos
Vou engavetando sonhos que sinto vergonha de ter
Não sei se estou molhado de tesão
ou por conta de algum sintoma hipocondríaco
que inventei para me matar mais um pouquinho
Travei.
Suavemente brisando numa onda de tê… agá… cê
E acendo mais um e acendo mais um e acendo mais uns…
estou acendendo um enquanto escrevo
ASCENDENDO
E não posso sentir vergonha do meu corpo
pois moro nele
Vivo aqui: nesses olhos, nessa boca, nos meus pés e barriga
Ainda que minha mente tenha dado um golpe de estado no meu coração
Eu estou aqui
E meu coração ainda está batendo.

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Oração

Brilha brilha
Olhos escuros
Brilha feito
Farol guiando
Os perdidos
No mar da
Sua alma
Brilha luz
Na sua vida cinza
E acenda a chama
Que te chama
E clama pelo
Seu nome secreto
Brilha discreto
Brilha direto no centro
Brilha por dentro
Que o que está por
fora brilha direito
Brilha por dentro
E vomite todo tormento
Prantos e espantos
Brilha tanto que
De olhos fechados
É possível ver o universo
Inteiro ardendo
Brilha brilha
Olhos negros

Homo Sapiens Homossexual

Queijo embrulha o meu estomago  
Punheta fode com a criatividade 
Exercícios físicos para alinhar corpo, mente e espirito 
Nada mais de comida industrializada 
Os armários vazios da cozinha 
Aguentam o peso da madeira que os constrói  
Eu aguentei o peso de um amor morto pendurado no peito  
Mensagens picantes via telefone celular  
Se eu mostrar meu pau você mostra o seu também? 
Estou arrotando como se tivesse despejado litros de cerveja goela abaixo 
Gastrite nervosa azia refluxo curo com limão água morna e mel  
Sua língua procurando o lugar mais quente no meu corpo  
E eu testando minha visão no escuro 
Acordo ainda de olhos fechados e tento dar um pulo  
Um salto pra fora 
Fora da cama fora de mim fora de casa e do planeta terra  
Tento me observar do lado de fora do meu casco  
Como se meu espirito me olhasse de cima para baixo  
Eu formiga  
O eu pequenino  
O eu ego  
Humano 
Homo sapiens Homossexual 
Vou expandir consciência assistindo Netflix 
Curar minha hipocondria via Facebook 
E não quero falar nada com ninguém  
Discutir relacionamento 
Remoer dramas fofocas e dilemas 
Apontar dedos buscando os culpados 
Culpado sou eu  
Você  
Ele  
Qualquer um  
Vou me aventurar dentro de mim  
Antes de sair me doando por ai  
Encontrar em mim o que perdi nos outros  
Terceiros 
Qualquer um 
Raspei minha cabeça 
Raspei quinze anos de barba do meu rosto 
Para brotar novidades  
Meus travesseiros ainda tem o cheiro dos seus cabelos 
Eu danço descontroladamente no espaço que você deixou na sala 
Ocupo toda a sua ausência com movimentos frenéticos 
Falo sozinho ou comigo mesmo 
Me olho no espelho escrito à caneta 
Olhos tristes de olheiras  
Lembretes de caderneta  
Hábitos corriqueiros fantasias traumas crenças e doutrinas  
Um monstro de ideias 
Bobagens não mais registradas pelo cérebro   
Tabaco erva papel saliva e isqueiro 
E por instantes  apenas esqueço

Sobre as coisas do Universo

Outro dia eu estava olhando pra você e percebi quantas coisas nós perdemos esse ano. “Mas também ganhamos” você diria. Eu sou pessimista, você sabe. Nossa esperança era sair desse buraco e correr viver no verde e no fundo, lá no fundo, eu sabia: era a ultima vez que eu te veria. Não há mais verde para confortar, mas eu escolhi esse caminho na cidade de pedra, nesse país cinza e borrado. Hoje vejo pela janela embaçada do onibus os rostos lá na rua passando rápido e tento identificar qual deles é o seu rosto. Quero ver um sorriso e reconhecer você. Mesmo agora sem a idealização do par ideal, mesmo sem a minha companhia e sem interações constantes, eu ainda quero te pegar sorrindo por ai, aparentemente sem motivos. Pois motivos nós tivemos de sobra. E o que vale a pena é fazer as coisas sem motivos. Viver! E, claro, a gente carrega um pouco de dor pelas bifurcações da vida. A corrente do carma se arrasta no ritmo dos meus passos. E eu passo mal sem você. Ou pelo menos passava. Nem sei ao certo o que dizer. A escolha foi minha. E você com as suas lágrimas e a música tocando num canto na minha mente “you don’t know the power that you have with that tear in your hand” e os gritos, os apelos, depois disso foi só medo. E eu temo te ver na rua sorrindo ao lado de um rosto estranho. Outra versão minha. Ou uma fuga, um dublê, ou, para o meu azar, um outro amor. Aquele cara que você conheceu comprando frutas. Aquele hábito de comprar frutas e fazer sucos enquanto eu fumava maconha lendo revistas em quadrinhos. E a gente conversava sobre as coisas do universo. Eu devo ter notado a minha ausência e decidi me afastar de vez. Te ver feliz. Eu era a dor, a ferida sempre aberta, ou o autoflagelo. Causando dor só por causar. Em minha mente sempre foi assim: sobreviver as minhas sabotagens. Eu contra eu, nunca sequer deu empate. Mas eu venci. E você foi descartado. Não por eu não te amar, mas porque aqui só há espaço para um até eu encontrar outra maneira de respirar. Lembra quando eu não conseguia chorar? Passei anos ao seu lado sem derramar uma lágrima, porque eu precisava estar feliz, então não podia ceder ao pranto. Porque eu havia parado de me expressar como antes e me contia, me prendia na ideia do que eu deveria ser ou me tornar. E isso me corroia. Por isso, meu amor, seja feliz. Por mim, seja feliz. E se eu lhe encontrar qualquer dia desses eu te pago um café, compro um cigarro barato pra gente dividir e rir de nós mesmos, como faziamos antes. Antes de eu te deixar. Antes de eu chorar. Antes de ontem de manhã. Quanto você partiu sem me dar tchau…

Insuportavelmente Amor

Que coisa chata! Ele entra e fala fala fala e não fala nada com nada e não se cala e fala mais alto. Faz barulho de tédio assoprando pra cima como se quisesse assoprar o nariz. Faz barulhos irritantes com a boca. E enche a boca pra falar merda, enche o meu saco, faz “click-click” com a caneta bic de quatro cores que tem na mão, boceja duas vezes seguidas, estala os dedos. Diz que já não aguenta mais isso e que não suporta mais aquilo e continua aqui me dizendo o que fazer e como deve ser feito e por isso e por aquilo mais e mais e mais…

Sai do quarto com passos de elefante, bate a porta, canta no corredor coisas sobre mim e “sobre eu também!” Faz riminhas pra satanizar, faz pirraça e depois se faz de bobo. Volta pro quarto fica com cara de bravo na minha frente, olhando sério para mim, esperando uma brecha, um momento que se escape, um instante de distração, e se corroendo por dentro com o silêncio que faço. Solta um, dois, três palavrões, roe as unhas e cospe, uma a uma, em mim. Me deixa uma, duas semanas sem sexo. Diz que já basta, que “pra mim já chega” e não chega e nunca chega e nem vai chegar lugar algum se continuar se comportando como um menino mimado e burrinho. E abre a janela deixando o vento frio entrar para me incomodar, ele sabe bem como eu sou friorento, e  bate forte a janela ao fechar, depois começa assoviar ou assobiar(ou os dois!) músicas clássicas-chiclete tipo “William Tell Overture: Finale” que  gruda na cabeça e aborrece por dias. E por fim deita na cama e se faz de mudo por apenas alguns vinte e tantos poucos minutos, finge que dorme, mas não dorme e abre os olhos no meio do fingimento para olhar o que eu estou fazendo, se eu estou olhando ele, ali, jogado entre edredons e travesseiros resmungando coisas sem graça e sem fundamento, sua rebelião sem causa e quando não vê muito  sucesso no fingir, respira bem fundo e descobre que “respirar fundo” várias vezes pode ser interpretado como um apelo, um “me socrorra!” ou “pergunte se está tudo bem comigo”, “me dê algum tipo de atenção”, ”me olhe! me olhe! me olhe!”

E antes de ser derrotado pelo cansaço ele começa a debater sozinho, perdido em algum canto do seu universo interior, se deve ou não improvisar um chorinho baixo, umas lágrimas de crocodilo para me comover e quando está quase decidido a chorar, com o nó na garganta e tudo  – agora já no apogeu do seu self-pity– ele acaba dormindo e acorda com um humor surpreendentemente fantástico no outro dia.

Por isso eu não falo, não faço, não olho, nego atenção, finjo que não vejo nada daquele caos particular que ele apresenta como se fosse uma peça premiada de teatro. O teu drama me fascina. Você nessa dança impaciente com a paciência que você tem em discutir com tanta dedicação pequenos detalhes… coisas bobas… e nós dois. Você que agora eu olho enquanto – depois do espetaculo – dorme um sono pesado de quem descansa de verdade, é você quem mora no meu peito. É você quem eu aconchego no meio da madrugada entre os meus braços e abraços. Quando eu te beijo desarcordado no meio de um sonho. É você, meu menino mimado, que eu tento domar, treinar, ensinar, ajudar, amar amar amar! É por você que eu faço silêncio, que eu desapareço, fico quieto sem me manifestar e todas essas redundâncias, eufemismos e palavras repetidas também são por você. Para que assim, você, em meio a sua crise existencial, ou por um minuto de atenção, perceba-se e aprenda-se observando a si mesmo  e por você mesmo. É a minha não reação que vai guiá-lo ao conhecimento de si. Meu silêncio faz você se escutar, se argumentar e entender que eu não sou ninguém para lhe dar lição alguma. Você que é livre para ir e vir, mas prefere ficar sempre, e crescer ao meu lado. Você companheiro que me xinga e se bate e dá soco na parede, depois joga um copo, um prato, uma faca no chão! Você está deixando de ser menino para ser o meu homem. E eu sei que amanhã, quando o teu céu estiver azul bem claro e com uma estrela brilhando entre os seus olhos, quase na testa, você vai compreender que eu estou todo tempo a te olhar. Observando a sua forma de me amar, de se amar e nos amar. Eu sei que as suas tempestades são intensas, mas seu amor é apaziguador.

E quem sabe, qualquer dia desses eu acabo cedendo ao teu draminha barato e vamos dar umas boas risadas, uma dose alta de beijos, depois eu tiro a tua roupa e te como na poltrona e a gente acorda no outro dia com um humor surpreendentemente fantástico.

Mal Entendido

Ele me viu tirando a foto e se interessou. Uma curiosidade que o fez sair de sua casa em meio a neve e atravessar a rua. Enquanto eu olhava a foto, recém tirada, no meu celular. Depois ele passou duas vezes em frente a janela de casa. Eu nem me toquei. Acendi um cigarro e voltei a ouvir música. Aumentei volume do som e tudo o que se ouvia pela janela era: ” Father Lucifer you never looked so sane, you always did prefer the drizzle to the rain… how’s the lizzies, how’s your Jesus Christ been hanging…”

Percebi ele lá fora me olhando com cara de espanto e gritou: satânico! E eu me assustei, abri a janela e retruquei: qual o problema?

– O problema é que você tirou uma foto minha e está fazendo bruxaria ai na sua casa!

– O que? Você tá surtando!

– Eu ouvi, meu caro, ouvi a canção do seu ritual satânico. Vou chamar a polícia pra acabar com isso agora.

E eu, assustado, gritei: não! Não há necessidade. Acho que houve um mal entendido e se quiser eu posso lhe explicar…

– Explicar o cacete! Vou te ferrar.

Então peguei o celular e falei: ok, vai ligar pra polícia? Pois eu também vou! E vou contar que estou sendo verbalmente abusado por um estranho que está basicamente invadindo a minha casa e privacidade! Dizendo atrocidades sobre a minha pessoa! Acusando-me de loucuras que nunca cometi! Quem é você, meu senhor!? Quem é você!?

O rapaz olhou pasmo, notou a situação que havia criado e se afastou. Atravessou a rua olhando para mim e mudou de ideia. Retornou a minha janela e pediu para eu explicar. Eu mostrei o beck bolado, a capa do cd que eu estava ouvindo, a neve lá fora e depois a foto no meu celular. Ele sorriu e disse: está explicado! Seu drogadinho pervertido! Me bisbilhotando da janela e…

Eu o interrompi e ofereci um trago do beck dizendo: relaxa, querido, não há ninguém aqui te perseguindo. Sequer vi você na janela. Mostrei meu celular e apaguei a foto da neve.

Sorri e novamente ofereci o beck. O rapaz tinha mais problemas do que eu. Eu entendi a sua interpretação de toda a cena. Ri sozinho ainda segurando o beck em sua direção por entre a janela. Ele tomou o cigarro da minha mão tragou duas vezes e foi para sua casa fumando.

No dia seguinte eu o vi na rua e ele acenou e fez sinal de positivo com as mãos. E depois tirou uma foto da minha casa.

Vai entender…

Café Frio

– Eu ouvi da primeira vez que você falou!
– Então por que não respondeu?
– Porque… Porque eu estava ocupado.
– Ocupado com o que?
– Não me lembro…
– Estava suficientemente ocupado a ponto de não ter tempo para me responder, mas não se lembra o que te ocupava?!
– Eu estava pensando na resposta para sua pergunta, oras.
-Então por qual razão você esperou eu repetir a pergunta três vezes se você já estava pensando na resposta?
– Porque eu havia esquecido a pergunta.
– E como conseguiu se manter tão ocupado com a resposta de uma pergunta esquecida?
– Ok, eu não prestei atenção no que você disse, pronto, satisfeito?
– Não. Não estou satisfeito, pois quero que você preste atenção no que eu digo, mesmo que seja banalidades, até mesmo reclamações, quero que você queira me ouvir mesmo quando estiver ocupado. Só isso. Agora, você quer ou não?
– Quer o que?
– Café, meu amor, café…

Lembranças…

Descobri que ele não ama a mim. Ele ama a lembrança de mim, em mim. Os anos que vivemos juntos antes, quando a paixão estava no início. Quando não havia tantas dificuldades. Antes de ele conhecer meus defeitos e eu reclamar dos dele.  A lembrança que ficou marcada em mim, ainda que em outro corpo, num rosto mais robusto e adulto. Ele ainda vê o moleque que, em partes, morreu em mim. Não há mais aquela inocência do primeiro amor. Mas eu sou a lembrança, no presente dele, de tudo que se foi. Passou. Sou lembrança de uma casa azul. Do terraço de um prédio. De uma senhora fazendo tricô. De um labrador negro. Do piso branco da calcada. Em mim – ou na lembrança de mim – não há a morte. Há todos aqueles dias suspirando em seus braços.

Embora, devo admitir, que essa forma de amar alguém seja fascinante. Enxergando o parceiro no que mais se admira. Na memória de um amor jovem, sem discussões, atritos e dores. Um amor entre a liberdade de ainda ser solteiro e ocompromisso gostoso de um namoro descomplicado. Ah, é mais fácil amar assim. É, também, saudável. No entanto eu prefiro os atritos de agora. Essas conversas em voz alta que servem para provar que nos mudamos, embora, no fundo, na essência, permanecemos os mesmos. Apaixonados. In love. Dedicando músicas e registrando momentos. Esses somos nós. Hoje mais maduros, mais lesados pela vida – não no mal sentido da palavra.

Memórias, todos nós as temos. As minhas ficam passeando no passado, mas de quando em quando voltam como um temporal para te cobrar atitudes ou mostrar que temos, em nós, as mesmas manias irritantes de antes. Eu ainda erro, mesmo sendo o rosto perfeito moldado naquele passado. E não quero que você, enxergando ele (o eu mais menino), se decepcione com os meus novos defeitos. Com as minhas outras crises. E, também, não quero que você procure em mim as qualidades do passado, eu estou cheio de outras novas, mais excitantes, embora não as mostre com frequência. Veja-me como aquele menino, mas me entenda como o homem que ainda tento ser.

Coisas de Ariano perdido…

Eu quero ler ou reler um bom romance. Substituir os personagens. Matar alguns deles. Transar com um tanto bom dos que restaram. Depois cuspir na cara do passado. Reencontrar um namorado. Conhecer outra pessoa. Sei lá. Reescrever uma história. Ou inventar um livro novo. Visitar um amigo antigo que estudou comigo na quinta série. E depois, próximo do final descobrir que o que conta mesmo são as ressacas. As madrugadas em claro fumando maconha. As risadas enlouquecidas nas reuniões com os amigos. As palhaçadas em geral. E descobrir que a vida é esse monte de equívocos que resultaram numa obra de arte. Mas eu sei que não é bem assim. Pois não leio apenas romances.

Estou pensando seriamente em ler a bíblia. Não porque eu acredito nela, de jeito algum, mas para conhecer os caminhos alternativos.Saber quantas pedradas Maria Madalena levou e conformar-me com as que eu tenho levado. Abaixar-me nos pés de alguém e os lavar com bondade. Quem sabe assim eu conseguiria abrir o meu mar no meio e passar por dentro desse pesadelo. Não estou fazendo muito sentido, eu sei.  Eu gostaria de ler também, aliás, eu até tenho lido, um pouco sobre a mitológia grega. Aqueles monstros fazem imenso sentido para mim e eu nem sei porque. Imagina poder olhar a medusa nos olhos e mandar ela tomar no cu.

Talvez eu não esteja gastando o devido tempo na leitura quanto eu gostaria. Estou gastanto tempo á toa na verdade. Só pensando. Sempre pensando. Aqueles que pensam demais nunca se tornam grande coisa. Eu não gosto disso. Gosto dos que pensam e agem conforme o pensamento. Na impulsividade da coisa. Boom! Coisa de Ariano pirado. Entende? Bom, se não entender também eu pouco me importo.

Creio que nos meus pensamentos, naqueles mais profundos, eu tenha encontrado uma forma de viver tudo o que não estou vivendo agora. E por alguma razão isso me deixa satisfeito. Talvez, por esse motivo, eu tenha me afastado um pouco dos romances; para não me perder na vida de alguém que nem existe. Ou pensar que eu posso fazer aquelas coisas que estão escritas no preto e branco. Talvez eu tenha guardado todos meus livros num armário, para não perder a minha fraca identidade. Porque eu sei que eu ainda não sei quem eu sou. E sei que estou nessa constante busca de mim mesmo. Nunca satisfeito com meus próprios resultados, mas, também, nunca tentando aprimorizar o que eu acho que sou. É complicado. Mas eu acho que o máximo que devo fazer é seguir assim até o cabresto apertar e eu abrir espaço para outras oportunidades. E, quem sabe, então, meu coração não se liberta desse peso de ter sempre que saber quem eu sou e/ou o quão bom eu sou.

Chega de non-sense. Boa noite.

Crush

Você que de tão longe me olha,
ai do outro canto.
Vem pra cá,
traz junto uma cerveja.
Pode vir…
Eu também te vi de noite,
disfarçando, entre os outros,
lá do outro lado.
Vêm, que eu vou ao teu encontro..
Vamos?.
Ainda não sei o seu nome.
Nossa distância é tão pequena,
por que está demorando?.
Vêm, me olha olho a olho.

.
Aproveita que estou tonto,
embriagado, cheirando a uísque.
Vêm, e me dê um beijo.
Se quiser depois pode ir,
levando embora o meu desejo..
Ou fica,
demora,
segure minha mão.
Pode ser só por essa hora,
ou pela noite inteira.
Vêm, deixa pra lá a timidez, que bobeira.

Para as bichas dos bares…

– Anota meu numero
– Pronto, anotado.
– Você vai me ligar?
– Não.
– Não? Por que não?
– Porque eu não sei ligar para os outros.
– Então pra que você anotou meu numero?
– Porque você pediu, oras.
– Ai, que saco, me passa o seu então.
– Tá ai, anota.
– Pronto.
E ele, como eu, nunca ligou.

Depois do Motel

Já quis esconder
mas sei que esses
passos estão lentos
demais. Sei que sou
promessa errada.
Não há nada além
de mim em sua
história. Não há
vida  sem mim
em seus dias. E
como eu, aqui cansado,
queria dedicar poucas
palavras assim, porcarias,
para alguém que sem
mim não viveria.