Coisas de Ariano perdido…

Eu quero ler ou reler um bom romance. Substituir os personagens. Matar alguns deles. Transar com um tanto bom dos que restaram. Depois cuspir na cara do passado. Reencontrar um namorado. Conhecer outra pessoa. Sei lá. Reescrever uma história. Ou inventar um livro novo. Visitar um amigo antigo que estudou comigo na quinta série. E depois, próximo do final descobrir que o que conta mesmo são as ressacas. As madrugadas em claro fumando maconha. As risadas enlouquecidas nas reuniões com os amigos. As palhaçadas em geral. E descobrir que a vida é esse monte de equívocos que resultaram numa obra de arte. Mas eu sei que não é bem assim. Pois não leio apenas romances.

Estou pensando seriamente em ler a bíblia. Não porque eu acredito nela, de jeito algum, mas para conhecer os caminhos alternativos.Saber quantas pedradas Maria Madalena levou e conformar-me com as que eu tenho levado. Abaixar-me nos pés de alguém e os lavar com bondade. Quem sabe assim eu conseguiria abrir o meu mar no meio e passar por dentro desse pesadelo. Não estou fazendo muito sentido, eu sei.  Eu gostaria de ler também, aliás, eu até tenho lido, um pouco sobre a mitológia grega. Aqueles monstros fazem imenso sentido para mim e eu nem sei porque. Imagina poder olhar a medusa nos olhos e mandar ela tomar no cu.

Talvez eu não esteja gastando o devido tempo na leitura quanto eu gostaria. Estou gastanto tempo á toa na verdade. Só pensando. Sempre pensando. Aqueles que pensam demais nunca se tornam grande coisa. Eu não gosto disso. Gosto dos que pensam e agem conforme o pensamento. Na impulsividade da coisa. Boom! Coisa de Ariano pirado. Entende? Bom, se não entender também eu pouco me importo.

Creio que nos meus pensamentos, naqueles mais profundos, eu tenha encontrado uma forma de viver tudo o que não estou vivendo agora. E por alguma razão isso me deixa satisfeito. Talvez, por esse motivo, eu tenha me afastado um pouco dos romances; para não me perder na vida de alguém que nem existe. Ou pensar que eu posso fazer aquelas coisas que estão escritas no preto e branco. Talvez eu tenha guardado todos meus livros num armário, para não perder a minha fraca identidade. Porque eu sei que eu ainda não sei quem eu sou. E sei que estou nessa constante busca de mim mesmo. Nunca satisfeito com meus próprios resultados, mas, também, nunca tentando aprimorizar o que eu acho que sou. É complicado. Mas eu acho que o máximo que devo fazer é seguir assim até o cabresto apertar e eu abrir espaço para outras oportunidades. E, quem sabe, então, meu coração não se liberta desse peso de ter sempre que saber quem eu sou e/ou o quão bom eu sou.

Chega de non-sense. Boa noite.

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